10.6.08

Minha Incompleta Justificação...

JORNALISTA DE «LE JOURNAL DE L'ÉCRIVAIN, MAGAZINE»: O sr. escreve febrilmente, como quem anda doente numa cama e toma notas num bloco para se entreter. Julga ser correcto dizer que, para si, a escrita é como um analgésico que, curando nada, lhe alivia pelo menos a dor de ser inútil?
O GÉNIO INVOLUNTÁRIO: Não sei bem que dizer-lhe. A inutilidade não é para mim uma dor, mas uma benção, porque é aí que está a arte. A dor é o artista não poder ser milagreiro e com as suas criações mudar todo o mundo. Se eu agora escrevesse um romance que desse um fim à miséria, ou que, no meu egoísmo, me devolvesse ao sonho realizado da vida que sempre imaginei, então a dor seria uma miragem. Se a escrita é um analgésico? Creio que não. A escrita não tem qualquer poder medicinal. É meramente psicosomática. É mais uma balança interior do que uma droga que nos dê um alívio. Pode aliás ser bem pesada, e magoar mais, mas mantem-nos nos eixos. Se me perguntasse porque escrevo, creio que lhe responderia: «Para entender». E, no entanto, tal como em qualquer outra coisa que disesse ou fizesse enquanto artista, eu estaria a mentir-lhe, porque se há algo de certo na escrita (ou em qualquer outra forma de arte) é que ela se sente, não se pensa, mesmo que se faça pensando enquanto sentindo ou sentindo racionalmente, cerebralmente, com matemáticas de raízes quadradas de emoções imperfeitas, e, como tal, não serve nunca para entender coisa alguma...

Num Bar


I

O embusteiro percorre os longos trilhos do bar.
É um actor cansado de novelas.
Faz tanto tempo já que anda a brincar
Por palcos e por telas!


Passa por gente e por coisas, mas tudo é sombra e tristeza.
Vive no Além, e abstrai-se, ausente.
Há muitos anos, era só leveza!
Hoje ele está diferente.

«Álcool! Antes que eu desmaie! A sobriedade adoece!
Acaso quer você que eu desfaleça?!»
E suplica um bagaço com uma prece,
Gingando com a cabeça.

No fundo está sozinho e quer cuidados. É humano!
Mas falta-lhe o governo de si próprio.
Vê fragmentos de si (e isso é um dano),
Como um caleidoscópio!

E julgando-se um ortónimo de outras vidas plenas
Recria-se em mais de mil maneiras.
Julga que assim mascara as suas penas!
E finge horas inteiras!

Faz um esforço insano, o que é de loucos!, para disfarçar
A frustração que sente em ser o que é.
Quer-se excepcional mas sabe-se vulgar –
Foi criado à má fé!

É um «engenho estragado!» de acordo com o seu prisma,
E qualquer aparelho quer concerto.
A cura do seu «estranho cataclisma»
É ter um bar aberto!

Um bar com gente, «ai! É Vinicius de Moraes! É Samba!»
É «A Felicidade» e outros sons!
Dancemos com o bagaço em corda bamba!
E a banda dá os tons!

«Amigos!, Pago duplos para todos! É minha a noite!
É minha a dor que trago só comigo!
Eu insisto! Já disse! Não se afoite!!
Cá está! Chamo-lhe um figo!

Aquela diva além, quero dançar! Que pernas lindas!
O Samba é festa! Ai, vem balançar!
Vem, doce, que eu te dou as boas-vindas!
Tens só tu de me amar!

Porque eu estou tão vazio no meu por dentro, ai sem razão!
Vivo em tonturas de me ter em mim!
Cansei-me de dar corda ao coração,
E o coração sem fim!

Hoje estou deprimido e eclipsei-me. Fora, Mundo!
Hoje quero o prazer de não lembrar.
Por isto, embebedei-me. Estou imundo!
Pudesse antes não estar!

Mas que sufôco, meu Deus! Abram janelas! Mais luz!
Matem gente, se acaso for preciso!
É indiferente, nada me seduz!
Nem o amor, nem o riso!

Sirva outro, garçon! É p’r’átestar! E não me embaia!
O outro que me deu soube-me a pouco.
Também Deus me deu vida, e tinha raia! –
Por isso fiquei louco!

Limites no sentir??! Tudo tão breve! Febre e Horror!
Doença de pensar e de ter ânsias!
Somos a lebre e o Tempo é o caçador.
Tudo o mais são distâncias.

Passam segundos, passam horas, meses, passam anos!
E, como os whiskyes, duplos de amargura.
E eu que passo em vão, como os decanos,
Sem ponta de ternura!»

E o intrujão emudece. Amplifica-se o silêncio.
Prolonga-se na noite e a Treva cresce.
E nem um mocho pia, (oh!, o Horror vence-o!)
A Sombra Eterna Desce.

Traz o Sétimo Selo na batina e a Foice à ilharga.
Não fala, não respira, não discursa.
Num gesto só, ceif’Ela a vida amarga,
Com a força de uma ursa!

E o impostor adormece, tombando no chão frio.
O burburinho morre num quebranto.
Nunca esteve tão cheio, este vazio,
De plúmbeo pasmo e espanto!

Ergueram-se alguns porfim do seu sid’rado torpor,
Para pegar no corpo ainda a expirar,
E o removerem (mas com que terror!)
Desse chão glaciar!

Deixaram os seus vícios e os seus egoísmos vis,
Tomaram o cadáver moribundo,
Uns pelos membros, outros p’los quadris;
Rezaram em quimbundo!

Gritaram em mil línguas os mil nomes da Fortuna
Sabidos no passar de cada porto;
Cantaram fados tristes de uma tuna,
Beberam pelo morto!

II

E alguém brindou então erguendo o copo
Aos astros que há no Céu.
E alguém gritou «Ladrão!; Tens esse corpo
Mas esse corpo é meu!»
Pois houve alguém que reclamou o morto –
E disse: «Ele sou eu!»

III

Ai esse alguém fui eu,
Ai, esse alguém fui eu!

9.6.08

Squadra Zurra...

...Mas não joga. (O "A" caiu abalrroado por 3 golos). Asinada histórica após 30 anos!!

Desde 1978 que a a Laranja não era Mecânica contra os tricolori, mas tão só espremida. E hoje, passados 30 anos...

Diga lá o sr., sr. Van Basten, o que se passou, já que o Gume se ficou sem palavras...

- Com certeza, Gume, obrigado. Bom... «É um resultado fantástico, histórico. Vencer por 3-0 aos campeões do Mundo, jogando um futebol total durante os 90 minutos, não é todos os dias». (In ABola, 09/06/08)

Não é de facto VanBas... Até para um dia parece estranho como o raio, imagina todos!

A Holanda faz gato sapato da Itália;
Nadal humilha Federer;
Portugal joga, como equipa, futebol a sério.

Os sinais do absurdo são mais do que claros. Procure abrigo, querido Gumoleitor:

O FIM DO MUNDO ESTÁ PERTO!


8.6.08

Tetragarros

"Nadal cilindra Federer" - A Bola, 08/06/08.

O espanhol é tetra-campeão do mítico Roland Garros e iguala record de Borg.

6-1; 6-3; 6-0

O Federer estava drogado? Tinha febre? Dormiu mal? Que se passou?

O Gume aceita sugestões enquanto espera pela resposta do próprio. E entretanto vou ligar-me À TVI para recuperar o sabor da realidade. Onde é que encontro uma boa novela portuguesa, cheia de clichés, más representações e muitos "fait-divers"?

Que conforto na mediocridade! Nunca nos desilude, nunca nos surpreende: é constante, regular, segura...

7.6.08

Portugal! Portugal! Portugal!

Ganhámos! Vencemos! Salada Turca ao jantar! Festa! Extase! As 7 Maravilhas! Que delícia! Como eu já não via há muito tempo! Extraordinário! Bombástico! Incrível! Inimitável! Inigualável! Somos os máiores! In...

....

Eu não disse? Euro, euro, euro... quem é que se lembra do défice?

6.6.08

Soneto de Conforto da Tristeza

Não plantes flores, que as flores são pesarosas,
Não ponhas novas esp'ranças nesse jarro;
Não dês mais beijos, lenços, lírios, rosas,
Não deites combustível nesse carro.

Morreu, está morto. A vida não regressa.
Se foi, já foi; não volta nunca mais.
Toma outro banho, sai e recomeça.
Outros virão, os dias, mais normais.

Cada tristeza tua é uma núvem
Que ofusca o céu da alma por instantes
Até se abrir de novo noutro sol.

Cuidado com os sentidos que confundem.
Sentir agora é já diferente de antes.
Não deixes ser mortalha o teu lençol.

5.6.08

Do Homem Ideal... (Primeira Parte)

As mulheres gostam de um homem com sentido de humor:

Se não for útil, nem bom, sempre é risível...

Lição

- Mestre, ensina-me a calma!

E o mestre deu-lhe um espelho...

4.6.08

Hoje o Dia Raiou Com um Ar Poético...

«Pinto da Costa reagiu à decisão da UEFA de suspender o FC Porto por um ano, com uma mensagem aos associados: «estejam serenos que vamos recorrer. Estas questões vao ser tratadas por especialistas de direito».». Supõe o Gume que o Grande Dragom das Ãntâs esteja a referir-se aos mesmos especialistas que optaram por não apresentar recurso à decisão da Liga (o título estava garantido, o que são 6 pontos para quem tem quase 30 de avanço?), opção essa que levou à recente decisão da Uefa de excluir os idóneos portistas da próxima edição da Champions. Isso, associado ao processo interno contra o próprio Pinto da Costa, e as notícias da saída de peças basilares como Bosingwa (Chelsea), Paulo Assunção e Lucho Gonzales (Atletico de Madrid?), Quaresma (Inter?), Bruno Alves (Manchester City?) e Lisandro Lopes (Roma?), pelo menos, dá-nos o receio (ou a esperança?) de o magnânimo clube desportivo FCP começar, à eterna imagem do seu lider, a sua caminhada para o limbo. Será que afinal, neste Mundo Cão, ainda há Justiça?

P.S.: Que se note que o Gume está, como lhe compete, a ser propositadamente faccioso e que não nos escapa a consciência de que, por motivos vários, óbvios e desnecessariamente especificáveis, é uma verdadeira merda (não conheço para isto termo melhor do que o vernáculo) para o bom nome, o prestígio e a qualidade do futebol português.

Porque, sem o Porto na Champions, depois da prestação das equipas lusas no próximo ano, até o clube municipal de San Marino nos vai passar à frente...

Felizmente o Governo já tem vindo a habituar este país à desgraça - o choque não será gravoso...

Trovas do Alegre Que Passa - de Novo o Zorro Faz das Suas...

Alegre faz Comício de Esquerda. Fala na necessidade de criar novos caminhos. Ameaça (por palavras-meias) a criação de uma "nova alternativa política" em que, ameaça maior, será ele o líder. À equerda e à direita o Zorro da Justiça em Portugal (ou Gato dos Botas Rotas) vai granjeando consensos, juntando gente, arranjando adeptos. Um dia acordamos e Alegre é candidato a Primeiro Ministro pelo novíssimo e recém-criado Partido da Esquerda. Democracia é issso - o podermos congatular-nos com cada nova desgraça porque surge da congregação voluntária de muitos, que, estando juntos, não perdem a noção de exercício da opinião e liberdade individual. Idealmente, pelo menos. Mas preocupa ao Gume a impressão de que não nascerá dessa possibilidade mais uma alternativa, apenas mais um tacho. E o português, para além das misérias, já tem a barriga cheia de cozinhados políticos. Podemos gentilmente pensar que Alegre, afinal, não nos dá só coisas tristes - discursos repetidos e estagnados no tempo da ditadura, maus romances e maus poemas. Que Alegre está cá também para fazer rir o português, mostrando ao mesmo tempo a integridade de dizer o que pensa independentemente de consequências e a coragem de, no mundo em que se movimenta, insistir em manter essa integridade. O Gume saúda, sem sarcasmos, a frontalidade dessa subversão. Mas mais um tacho?
Bom, é só uma possibilidade. Alegre não quer mais partidos, quer agitar as águas. Nunca se sabe, porém...
Como dizem nuestros hermanos, "A ver..."



P.S: Ao Sr. PM José Sòcrates, para normalizar esse batimento cardíaco, o Gume aconselha, directamente importado do Peru, um relaxante chazinho de coca. Melhora nu instantinho! "A ver..."