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18.6.08

Viajar É Bom, Com a Iberia É Melhor

Com o meu Gumoleitor, partilho esta aventura de viagem, através de singular troca de mimos (hoje) entre o Departamento de Qualidade da Iberia, empresa em que viagei e que me arruinou uma mala, e a minha áurea pessoa (sempre gostei de uma boa palhaçada):

ELES:

Referencia: CXXXXX-XXXXXXXXX

Exmo Senhor FERNANDES, (Sim, este também sou eu)
Apresento as nossas desculpas pelos inconvenientes que nos refere em relação ao incidente com a sua bagagem. Ao analisar o seu caso não localizámos nenhuma Participação de Irregularidade, PIR, que é a reclamação que deve ser feita no aeroporto de destino antes de abandonar o recinto de recolha de bagagens.

Também é possível que os danos na bagagem que nos indica sejam derivados do uso normal da sua mala, produzidos pelo habitual desgaste na sua manipulação e transferência pelas instalações aeroportuárias, tais como arranhões, cortes, mossas, ou estragos nas rodas e asas, elementos com ciclos de duração definidos e limitados pelos fabricantes nas suas especificações sobre cada artigo, sem que a bagagem tenha perdido a sua funcionalidade concreta de conter e proteger os artigos do seu interior, pelo que o seu tratamento não teria objecto.
Para agilizar a resolução do seu processo, pedimos-lhe que nos faculte a Participação de Irregularidade, PIR, por telefone, ligando para o número 902 341 342 ou para o +34 91 514 99 44 no caso de se encontrar no estrangeiro, ou que nos indique a mesma por escrito para o apartado 36.299, 28080 Madrid.

No caso de pertencer ao nosso Programa de Fidelização, agradecíamos que nos indicasse no exterior do envelope o nível de cartão que possui: Iberia Plus Clássica, Iberia Plus Prata, Iberia Plus Ouro ou Iberia Plus Platina, juntamente com a nossa referência interna, que encontrará na parte superior esquerda deste mesmo documento.

Agradeço que nos faça chegar esta informação, a qual nos permitirá responder o mais brevemente possível.
Atentamente,
Inmaculada Iglesias
Customer Care Assistant Manager
::::::::::::::::::
EU (de mão na cabeça, claro está):

Ema Sra D. Inmaculada Iglesias (parto do saudável princíio de que estou a falar com a própria e não com uma mensagem pré-formatada gerada por computador),

Agradeço profundamente a amabilidade que demonstrou ao apresentar-me de forma tão completa o aparelho burocrático de que se serve a Iberia para subtilmente, lentamente, desvalorizar e reduzir as muitas reclamações que sei que recebe. Devo reconhecer que, não sendo novo, o aparelho burocrático da Iberia é extremamente original e achei particular interesse no pormenor do PIR que teve a amabiidade de referir por duas ou tres vezes (certamente por ser muito importante).

Não obstante, mesmo reconhecendo que, pelos serviços apresentados, a Iberia é a companhia mais incompetente e miserável em que já tive o privilégio de viajar até hoje (e já viagei umas quantas vezes num bom número de companhias), e apesar do enorme apreço que tenho pelo seu simpático discurso, considero também que a pacatez da minha vida privada é mais importante do que o circo para que acabam de me convidar.

Peço-lhe que não se deprima ao ver-me dizer que a Iberia é má. Todas as hecatombes têm a sua solução e também o disparate que a Iberia é terá oportunidade, querendo, de ser corrigido. Porque isto por norma serve de consolação às empresas e entidades (e às vezes pessoas) mediocres, digo-lhe também, se lhe servir, que, não tendo visto pior do que a Iberia, nao vi todas as companhias do mundo, e com certeza que algures por aí, talvez no Zimbabwe, no Burundi ou nos arquipelagos próximos da Papua Nova Guiné, exista uma companhia que seja ainda pior. Ainda há pois, para a empresa que teve a má fortuna de representar, certa esperança.

Os restantes pormenores da sua mensagem, em que se chega a sugerir, quase distraidamente que terei sido eu, também distraidamente, a amputar a minha prórpia mala, com o uso, claro está, nada mais do que o uso, provocaram-me uma enorme gargalhada, o que muito lhe agradeço, por me ter sabido muito bem depois de um fatigante e aborrecido dia de trabalho.

Se não por mais, só por essa atenção de despertar o melhor do meu sentido de humor,
Saúdo-a cordialmente
E desejo-lhe as melhores felicidades para o Futuro, de preferência noutra companhia.

Cumprimentos,
Miguel João Ferreira.

27.5.08

Un Message, Tout-Court, Du Plat Pays

Daqui de Bruxelas faz um sol cinzento, tal como e costume. Valeu-me o escuro do metro para nao ver o do ceu. Ainda assim, alegrei-me mais agora na pele do quase turista do que antes, quando aqui vivi realmente. E acreditam, que deste lado das coisas, sao apraziveis os belgas? E, enorme espanto, ate recebi por meias linhas proposta de regresso! Ou algo que justifica essa ideia. Algo que apelava as artes, a criacao que me justifica e que amo. E foi nesse momento que deveras me emocionei. E pareceu-me entao entender porque nao gostei de Bruxelas da primeira vez que aqui cheguei: porque algo nesta cidade me levava, como me leva, a uma emocao profunda, muito proxima do registo das lagrimas...

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Escrevo-vos sem acentos e cedilhas porque encontra-los neste teclado belga... etc.

25.5.08

Een Brief Ult Amsterdam - Novo Ensaio Sobre a Difamacao

O holandes tem 50 metros de altura e, por isso, o tecto holandes numa prudente medida de albergar, por extraordinario imprevisto de anormal cumprimento, todo o autoctone, atinge, de altura, os 100 metros e 50. Para o duende mediterranico, porem, esta benesse municipe, revela-se, senao um problema de maior, pelo menos um obstaculo pesaroso. E o duende em questao, simpatico leitor, nao precisa de ser muito baixo. Como exemplo da minha afirmacao documentada, ofereco-me a mim mesmo: Agora, exactamente neste instante em que liberto aguas, vejo-me a bracos com 3 dificuldades: a urgencia natural e biologica de uma bexiga que ha muito que nao se exprime e teima por isso em dar conta de si; um caprichoso fecho eclair de um pantalao holandes comprado num mau negocio de rua por 40 euros (tendo eu visto os artistas de tecelagem cozerem-me a dita veste a partir de uma bandeira e de uma camisola velha da laranja mecanica) que deu numa de prender na hora H em que aquela libertacao se impunha; e o malfadado e referido tecto que, de tao alto, apesar do meu imponente metro e setenta e oito de altura (para certas regioes de Portugal), me da chatices que nao lembram ao Diabo. Porque, a altura gigantissima do tecto, e do nivel da anca do mancebo local, levam a necessidade de arrebitar o nivel da sanita e a altura do degrao ate ao mijadouro (que se me perdoe a linguagem). Como consequencia, apesar de supinamente aflito, a primeira coisa por que o duende mediterranico tem de passar antes do tao esperado alivio (e pergunto se havera pior altura para tal) e por uma sessao de alpinismo... Escusado sera dizer que, quando se chega ao topo, ja muita agua correu pelo penhasco.
Concluo pois que, apesar de indiscutivelmente rica e evoluida, a civilizacao holandesa peca lamentavelmente pelo defeito do gigantismo, que nao da treguas a quem nao nasceu com a bencao da perene irrigacao espinal...
Este episodio, porem, caro leitor...
Enfim, mais hao-de vir...

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Escrevo, que me perdoem, sem cedilhas e acentos porque encontra-los neste teclado holandes e um desafio daqueles! Ja me chegou ter de trepar duas horas ate a mesa onde esta o computador - e tenho os pes na cadeira para conseguir chegar ate ca acima!!! Meu Deus, quando chegar a Noruega, como sera????

Novelas del Peru - Ensaio Sobre a Difamacao

O peruano tem meio palmo de altura e, por isso, o tecto peruano, numa prudente medida de albergar, por extraordinario imprevisto de anormal cumprimento, todo o autoctone, atinge, de altura, o palmo e meio.
Para o gringo, porem, esta benesse municipe, revela-se, senao um problema de maior, pelo menos um obstaculo pesaroso. E o gringo em questao, simpatico leitor, nao precisa de ser muito alto. Como exemplo da minha afirmacao documentada, ofereco-me a mim mesmo: Agora, exactamente neste instante em que liberto aguas, vejo-me a bracos com 3 dificuldades: a urgencia natural e biologica de uma bexiga que ha muito que nao se exprime e teima por isso em dar conta de si; um caprichoso fecho eclair de um pantalao peruano comprado num mau negocio por 40 soles que deu numa de prender na hora H em que aquela libertacao se impunha; e o malfadado e referido tecto em que, apesar do meu insignificante metro e setenta e oito de altura europeu, tenho dado inumeras caroladas.
Concluo pois que, apesar de indiscutivelmente rica, a civilizacao peruana peca lamentavelmente pelo defeito do nanismo..
Este episodio, porem, caro leitor, nao e senao um cheiro breve e despretencioso dos inumeros inconvenientes e sarilhos que teve esta minha acidentada viagem...

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Escrevo, que me perdoem, sem cedilhas e acentos porque encontra-los neste teclado peruano e um desafio daqueles! Ja me chegou ter de me curvar em duas partes (valha a verdade, nem sei como fiz isto!) ate a mesa ca abaixo onde o computador supostamente esta em cima- e tenho, veja-se bem!, a cabe;a debaixo da cadeira onde, creio, devia ter o c... sentar-me.
Meu Deus, quando chegar a Amazonia, como sera????

Nota Previa Sobre Este Sopro de Lazaro

O Gume veio matar saudades de si mesmo, mas nao esta ainda operacinal. O regresso a sua publicacao normal, nao vira antes do primeiro de Junho, nem depois, pelo que arrisco a dizer que se dara nessa data. Se puder mandar-vos um postal do Atomium de Bruxelles, fa-lo-ei com gosto. Mas nao prometo, meus amigos, para nao vos falhar - o Gume nao promete, cumpre - e o que sofre por viver de maos dadas com a honra!