…Falsos amigos que comem na tua casa, que te vestem os fatos, fumam os teus cigarros, passeiam no teu automóvel… Falsos amigos que te usam, que abusam do teu corpo, da tua personalidade infeliz, que te esquecem quando te são necessários, que te querem quando tu estás cansado, que não sabem dos teus anos ou do teu desgosto, mas que estão sempre a par do que tu gastas e de quanto tens para gastar, mas que nunca ignoram quanto valem os sapatos que calças, mas que sabem sempre quando estás em casa! E tu que sabes que nem são bem teus amigos, e que alimentas essa frágil mentira, esse pexisbeque social, porque são eles que te tornam útil…
7.4.08
E apesar de tudo, ainda o beijo de Judas...
…Falsos amigos que comem na tua casa, que te vestem os fatos, fumam os teus cigarros, passeiam no teu automóvel… Falsos amigos que te usam, que abusam do teu corpo, da tua personalidade infeliz, que te esquecem quando te são necessários, que te querem quando tu estás cansado, que não sabem dos teus anos ou do teu desgosto, mas que estão sempre a par do que tu gastas e de quanto tens para gastar, mas que nunca ignoram quanto valem os sapatos que calças, mas que sabem sempre quando estás em casa! E tu que sabes que nem são bem teus amigos, e que alimentas essa frágil mentira, esse pexisbeque social, porque são eles que te tornam útil…
6.4.08
Bairro Alto
O Bairro está cada vez melhor, mais completo, mais sofisticado. Descia eu ontem certa rua com um amigo, lutando virilmente por passar incólume através de uma turba de adolescentes bêbedos, quando um sujeito me aborda (a mim exclusivamente) com estas conspícuas palavras:
o sempre mais duvidoso. A Rua da Rosa estendeu-se, alargou-se, é um país inteiro. Começa agora no Palácio de São Bento, faz esquina com a Câmara do Porto, passa pelo Estádio do Dragão e acaba na Assembleia da Répública. E de vez em quando até acolhe Cimeiras. Não sei bem para que servem, nem sei bem se são boas; mas batem bem, pá! Ora prova lá, sócio... - desculpem, pessoal...5.4.08
(N)A Cabana do Pai Tomás...
Tens de limpar só esta parte da casa. E é a tua vez. Podia ser pior. É só uma casa de banho. E um corredor. Não te vão morder, em princípio não te pegam doenças, não transmitem lepra, não arranham, não dão má fama a ninguém... É certo que as tuas costas sensíveis se vão ressentir imenso, que a tua preguiça vai ficar deprimida, que o teu ego se vai perguntar o que fez para merecer tal castigo. E todos eles têm razão em protestar. Mas tu tens esses anos todos que sabes já que tens e que mais ninguém além de ti precisa de saber, e isso dá-te o tamanho e o juízo de aceitares esses trabalhos de escravo e de os levares a cabo com intrepidez incomparável... É que está quase, é só mais um passo, força, és quase um homem... Isso, medita mais um pouco, estás mesmo quase, pega no pano, pega no detergente, abre a torneira, abre a janela, abre a coragem,...4.4.08
Numa Qualquer Estrada Nos Sentidos...
Numa qualquer estradaNo sentido que me leva às obrigações,
Todos os dias,
Sempre que passo,
Há um menino segurando um balão.
Esquecendo por espaços os deveres,
Redescubro a alegria de encontrar um balão
Entre as mãos de alguém
Que ainda brinque com ele.
À lembrança de mim desce a Saudade
De brincar livremente,
Sem ter em mais que pensar,
E a nostalgia de reter esse fio
Que acreditava levar-me ao firmamento.
Sorrio, brevemente,
Com uma lágrima breve.
Depois, continuo o meu caminho…
E longe já da imagem desse menino pequeno,
Que brinca descansado e sem certezas
Sentindo (não buscando) a tal Felicidade
(Inocente e perfeita),
Vivendo os seus minutos
(Que não conta
E que não sabe contar)
Sem máscaras
Ou obrigações,
Assalta-me a tristeza de saber
Que nem todos os meninos sabem
O que é um balão
E o que podem fazer com ele
E tudo o que um balão representa.
E ainda mais triste é a certeza clara,
Provada pela experiência,
Que esse menino, em breve,
Vai esquecer o balão
E com certo prazer vai usar uma máscara
E com um certo orgulho vai ter uma obrigação
E com toda a responsabilidade do Mundo
Vai ser infeliz…
Eu desisti de todas as obrigações.
Por isso não corro mais aquela estrada incerta
E a criança perdeu-se além do meu olhar.
Sempre que olho o céu
Procurando um sinal,
Na esperança ainda de ver o balão,
Não vejo mais do que os pássaros.
Ó tu que tens nojo da máscara
E desprezas como eu as responsabilidades!
Ó tu a quem faz falta a antiga altura
Em que nada
Havia
Que pensar!
Se acaso correres a mesma estrada
E encontrares nela a criança,
Diz-lhe que não esqueça
A magia sublime de segurar um balão!
Assusta-a com a tua máscara
Como se fora o papão
(Que ela de noite teme),
Como se fora a bruxa horrenda (com que treme),
Como se fora Deus a vomitar!
Mostra-lhe os reveses da bonança!
Onde há a calma, há mudança,
Há tempestade no mar
Há tempestade no mar...
Um Passo Mais Além e Fôra Abismo...
Já não há medo neste precipício… Só rochas lá em baixo, tal como aqui no pico da falésia. Apenas varia a altura entre o seu espaço e o meu. Passou o tempo em que era um Monstro tudo o que eu não conhecia. Depois veio a sede de desvendar os mistérios. Mas o aventureiro foi esventrado pelos seus próprios sonhos e eu sou o que restou do seu esqueleto.Porque é infinito o diagrama do Tempo, é infinita a minha paciência. Já não busco mais nada pois nada há para achar. Aqui como ali há vida e pedras alternadamente (como em qualquer outra parte), e o haver isso me basta para me ter onde estou. O Sol brinca às escondidas com o Mundo há um sem fim de milénios, e eu fico sentado à beira do penhasco a vê-lo brincar, como quem vigia uma criança para que não se magoe. Tomei gosto neste olhar para as coisas só por olhar para elas, apenas para notar a beleza que têm: Todas as coisas são belas dependendo da luz que se lhes dá - Tomei assim como inquebrável princípio dar a melhor que contenho - como poderia dar outra?.
É por isso que no cume do abismo eu olho para baixo, contemplando o fim, e penso apenas como é belo e calmo e na paz que me dá, porque, apesar do que sinto e do que vejo, imagino sempre que ele a tem. Imaginar é pôr oum pouco de sonho em cada coisa. Que importa se, antes disso, lá se achava ou não?
Quando for altura, uma brisa suave há-de empurrar-me adiante, deixando-me cair como um folha sêca. Mas entretanto pude ver o que era belo na vida, e no fundo já não verei a escuridão…
3.4.08
2.4.08
Ah, Pois É, "Fellow-Tax-Payers", Também Querieis!!!!
Estou neste preciso momento divinamente assalapado no cadeirão de honra do meu amigo Toy (não o da música pimba mas o da música budista a avaliar pela paciência que ele tem para me aturar) a preencher a declaração amigável (porque à bruta é pior) de contribuição de impostos no site da DGCI. Há quem beneifcie dos privilégios de um TOC (Técnico Oficial de Contas) nestas alturas de crise e consternação (Pedro, estou a falar de ti), mas eu, por força (e na pessoa) do meu amigo Toy, tenho algo de bem mais precioso: um IOS!!!!!! - Para quem não esteja familiarizado com o termo, quer dizer "Informático Oficial de Serviço".
O meu amigo Toy é, aliás, neste campo (e por favor que não tenham a má fé de lhe alargar a semântica) pau para toda a obra, e é (de novo aliás) uma vertente de luxo dessa modalidade, já que, para mim, se tem revelado um autêntico IOSP - "Informático Oficial de Serviço Permanente"!
Esta conveniência comove-me enormemente e deixa-me, como não podia deixar de ser, com um grande sorriso nos lábios (é uma comoção feliz). É por isso com a maior justiça que deixo ao Toy este agradecimento público (e com testemunhas) pela preciosa pessoa que ele é, e é por isso também que peço aos Gumoleitores que me protejam da fúria arrebatadora da sua quase-noiva L. (ou noiva-quase-mulher, já não sei) que (invejosa!!!!, ciumenta!!, egoísta!!, não sabe partilhar!!!) qualquer dia me expulsa a pontapé de lá de casa...
Na verdade, as noivas e mulheres e namoradas são os piores defeitos que podemos encontrar nos nossos amigos...
(L., eu gosto de ti na mesma :-))







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